Cisne Negro

Cisne Negro
Cora Coralina

sábado, 10 de novembro de 2007

Tô véia. E daí?

A idade vai chegando e a inexorável passagem do tempo vai passando. Os filhos, que andavam sugando os peitos e sujando as fraldas descartáveis (como alguém pode achar que os tempos de ant'anho eram melhores - já pensou lavar fralda de pano?)ainda outro dia, agora se trancam no quarto, ouvem música, passam perfume antes de ir à escola. Estão entrando na adolescência. Se fossem só os filhos crescendo, tava fácil. Tem a casa onde a alma mora, que não nega a alta quilometragem.Os olhos não enxergam mais de longe. Adorei essa oportunidade. Liguei para amiga chique que operou miopia e recebi , a título de doação, um par de óculos Armani. Depois de um investimento de R$ 90,00 para aquisição de lentes de grau, me senti a própria Constanza Pascolato.Intelectual endinheirada.
A tiróide foi embora, levou junto a possibilidade de procriação. Preços que se pagam numa separação...There is no free lunch, as you know...
E o corpinho que me rendeu ,nos idos de 80, o título do mais belo derriére da piscina do Acampamento Rancho Ranieri ?Na barriga surgiu uma protuberância que não some quando se perde peso .Essa protuberância vem a ser composta da pele que sobrou quando os filhos resolveram vir ao mundo. Ela se chama pelanca.Portanto, tenho pelanca na barriga, mas continuo usando biquini.Cara de fuinha de cigana fugida da Hungria agora tem linhas em volta dos olhos .Sobre a boca formou-se um desenho parecido com código de barras.Já dei um jeitinho no último com umas injeçõezinhas de uma substância comprada na dermato.Uma hora de dor, umas centenas de reais e ...pronto.Só há que torcer para não ficar viciada nesse estica e puxa e acabar parecendo a irmã do Dedé Santana e da Glória Menezes,(os plásticos responsáveis pelo fato das expressões facias deles serem sempre a mesma deveriam ser punidos com a pena de morte ou com a terna danação no inferno católico) .

Como ainda consigo correr na USP(e usando shortinho, vejam bem)por quarenta minutos sem sentir o joelho direito apitando e, de quebra, acompanhar namorado na casa dos 30 ,numa trilha de 4 horas para o Bonete-nada disso me incomoda a ponto de me paralizar.Pelo contrário, gosto muito mais da mulher que sou do que da menina que fui. Ai, ai, ai... Era tanta encanação, tanto sofrimento. Preocupava-me estar gorda,ser viciada em chocolate, não beber cerveja nem alcóol,o fato dos outros beberem(pricipalmente a mãe) não saber que carreira escolher, a minha inveja, o fato de eu ser esquisita, exibida,pouco discreta.O que dava pra resolver ,eu resolvi um tanto,outro tanto a vida resolveu para mim. O que não dava, esta ai...

A experiência é boa. Garante que as ondas de angústia cavalares que me engulfam, de quando em vez, não matam,nem me engordam mais. Pelo contrário, elas são o outro lado da minha capacidade de alegrar-me com as coisas pequenas.Fazem parte do brilho do meu olhar que traz as gentes para perto.

O saldo anda positivo apesar de eu não ter construído uma carreira brilhante ou uma casa no Condominio da Baronesa.
Envelhecer é ruim, mas amadurecer é ótimo.Mesmo porque as outras alternativas são bem misteriosas.

Um comentário:

Hamsa disse...

Parafraseando o Pequeno Príncipe: " O essencial é invisível aos olhos...Só se vê bem qdo se vê como o Coração..."

Namastê